E2 Recursos compartilhados e gargalos
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Em uma obra, cada atividade pode parecer viável quando analisada separadamente; contudo, o conjunto pode ser impossível de executar conforme o planejado. O motivo é que várias atividades demandam, simultaneamente, os mesmos profissionais especializados, equipamentos, supervisores, acessos ou espaços. Este modelo explica como surge essa concorrência e por que o desempenho global depende tanto da distribuição de capacidades quanto da produtividade individual de cada frente de serviço.
A demanda por recursos não é constante. Ela varia de acordo com o método construtivo, a sequência das atividades e a intensidade de trabalho que se pretende alcançar. Por outro lado, há a disponibilidade real: uma máquina pode constar no inventário, mas estar em manutenção; um trabalhador pode estar contratado, mas não possuir a certificação necessária; um guindaste pode estar operacional, mas posicionado em outra frente de trabalho. Por isso, a capacidade utilizável deve ser considerada em função do período, da localização e da compatibilidade com a tarefa. A sobreposição de demandas revela os momentos em que os recursos são insuficientes para cumprir todos os compromissos simultaneamente.
Diante da escassez, a gestão deve estabelecer prioridades. Alocar uma equipe adicional a uma atividade pode acelerar sua execução, mas, ao mesmo tempo, privar outra frente do pessoal de que ela necessita. A decisão correta depende dos marcos (milestones) que ambas as atividades condicionam, de suas margens de atraso e das alternativas de execução disponíveis. Além disso, aumentar o efetivo nem sempre resulta em um aumento proporcional da produção: as frentes de trabalho possuem limites físicos, as pessoas podem atrapalhar umas às outras, os equipamentos auxiliares podem ficar sobrecarregados e a supervisão pode tornar-se insuficiente. O resultado é a ocorrência de congestionamentos, tempos de espera e rendimentos decrescentes.
O gargalo é o elemento que, nas condições atuais, limita o avanço do conjunto. Não se trata, necessariamente, do recurso mais caro ou daquele com maior taxa de ocupação. Se for aumentada a equipe em uma atividade que já está aguardando um guindaste, provavelmente não haverá qualquer aceleração. Se for adicionado outro guindaste, a restrição pode acabar se deslocando para o acesso, o transporte ou a equipe de inspeção. O gargalo é, portanto, dinâmico e deve ser reavaliado à medida que o projeto muda.
Para compreendê-lo, é necessário observar demandas e alocações por atividade, turnos, qualificações, localizações, mudanças de prioridade, tempos de espera, utilização e filas. Um simulador simples apresentaria várias frentes competindo por um conjunto limitado de recursos. O usuário poderia redistribuir equipes, alterar prioridades e verificar que uma melhoria local nem sempre significa uma melhoria global. A demonstração evidenciaria qual recurso limita o sistema, como essa limitação se altera e quais efeitos indiretos cada decisão exerce sobre as demais atividades.
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