E6 Folha - Interface Atmosférica
Tópico
A interface folha-atmosfera é onde ocorre a troca de dióxido de carbono, vapor de água e calor entre a folha e o ar circundante. Cada uma dessas três trocas é regulada, embora não da mesma maneira, por dois elementos dessa interface: os estômatos e a camada limite de ar estagnado acima da folha.
Os estômatos regulam simultaneamente a entrada de dióxido de carbono, necessário para a fotossíntese, e a saída de vapor de água, que constitui a transpiração. Quando os estômatos se abrem mais, entra mais dióxido de carbono e a fotossíntese aumenta, mas, ao mesmo tempo, sai mais vapor de água e a transpiração também aumenta. Quando os estômatos se fecham, tanto a entrada de dióxido de carbono quanto a saída de vapor de água diminuem. Essa regulação dupla simultânea, pela qual a folha não pode aumentar sua fotossíntese sem também aumentar sua transpiração, é o princípio fundamental da ecofisiologia vegetal. Além dos estômatos, a interface folha-atmosfera inclui uma camada limite de ar estagnado que se forma logo acima da superfície da folha. Essa camada limite adiciona ainda mais resistência à troca de dióxido de carbono, vapor de água e calor entre a folha e o ar, além da resistência já imposta pelos próprios estômatos. Quanto mais espessa a camada limite, maior a resistência adicional à troca e mais difícil se torna para a folha trocar dióxido de carbono, vapor de água e calor com o ar circundante, mesmo que os estômatos estejam totalmente abertos.
A espessura da camada limite depende do tamanho da folha e da velocidade do vento. Quanto maior a folha, mais espessa tende a ser a camada limite, porque o ar percorre uma distância maior antes de ser renovado. Por outro lado, quanto mais forte o vento, mais fina se torna a camada limite, porque o vento renova mais rapidamente o ar em contato direto com a folha. Em resumo, a interface folha-atmosfera regula a troca de dióxido de carbono, vapor de água e calor entre a folha e o ar por meio de duas resistências que atuam em conjunto: a resistência imposta pelos estômatos, sujeita à relação inversa entre fotossíntese e transpiração, e a resistência adicional à troca imposta pela camada limite de ar estagnado, determinada pelo tamanho da folha e pela velocidade do vento; entre essas duas resistências, a interface folha-atmosfera determina, em última análise, a quantidade de dióxido de carbono, vapor de água e calor que efetivamente atravessam a interface folha-atmosfera em um dado momento.
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